"Reino"...Basutolândia?


Incrustado na África do Sul, montanhoso e sem saída para o mar, o país é o antigo Reino da Basutolândia, um dos países etnicamente mais homogêneos da África: 99% de sua população é da etnia basoto. O país vive da agricultura e criação de ovelhas nos montes Drakensberg, que domina a maior parte do território e atingem mais de 3 mil metros de altitude. É bastante dependente da África do Sul. O dinheiro enviado por seus cidadãos empregados nas minas e fábricas sul-africanas representa 26% do PIB.

História
O grupo dos basotos se estabelece na região do Transvaal (atual África do Sul) no século XVI e migra, em virtude de conflitos com a etnia zulu, para o norte e para o sul, ocupando a área do atual Lesoto. No século XIX, os habitantes da Basutolândia travam guerras contra os bôeres (brancos sul-africanos de origem holandesa, francesa e alemã). Em 1868, o território passa a ser protetorado britânico, tornando-se colônia da Coroa em 1884. A independência ocorre em 1966, e o país adota o nome de Reino de Lesoto. O chefe basoto Moshoeshoe II torna-se rei. A partir dos anos 1970, seu governo dá asilo político a sul-africanos que se opõem à política de segregação racial do apartheid. Em 1982, tropas da África do Sul entram no país e matam mais de 40 pessoas, entre oposicionistas sul-africanos e cidadãos de Lesoto.

Instabilidade - O general Justin Lekhanya dá um golpe, em 1986, e assume a chefia de governo. Em 1990, Lekhanya depõe o rei Moshoeshoe II e o substitui por seu filho, o príncipe Letsie. Lekhanya é deposto em 1991. Letsie renuncia em 1995, e Moshoeshoe II reassume o trono. Com a morte do rei, em 1996, seu filho volta ao poder. As eleições gerais de 1998 dão vitória ao partido governista Congresso para a Democracia de Lesoto (LCD), que indica Bethuel Pakalitha Mosisili para primeiro-ministro. A oposição alega fraude e protesta. As manifestações levam Mosisili a pedir intervenção militar da África do Sul e de Botsuana. Segue-se um conflito em que morrem cerca de 70 pessoas, segundo dados oficiais. Governo e oposição concordam em realizar novas eleições, que não ocorrem no ano previsto de 2000.

COPA DO MUNDO?
A subida não é longa e a trilha, sempre aberta, oferece um visual de tirar o fôlego. Do alto, a beleza do aspecto montanhoso do Lesoto esconde as mazelas sociais de um dos países mais pobres do mundo, cuja população de 1.800.000 habitantes sofre com a proliferação da aids: quase 24% dos basotho estão contaminados pelo HIV.

Em um país com 40% da população vivendo com menos de US$ 1,24 (R$ 2,23) por dia, portanto abaixo da linha de pobreza estabelecida pelas Nações Unidas, é normal que muitos ignorem o Mundial da África do Sul para se preocupar com o sustento.
- Eu não sei nada sobre essa Copa do Mundo. Ouvi algumas pessoas falando sobre isso, mas não sei do que se trata – disse em sua língua nativa uma senhora que, para cozinhar, queima lenha dentro do casebre sem se incomodar com a fumaça que toma o local.
Mas enquanto abastecia seu balde na única torneira do povoado, uma outra moradora demonstrou alguma intimidade com o assunto bola. Sem eletricidade no local, para ela as imagens da Copa não são vistas, mas criadas a partir da informação que chega pela antena do rádio.

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