VALE A PENA LER ...final


Agora talvez mais pretensiosa que madura, a ciência continua sua marcha para explicar o céu e as últimas novidades continuam surpreendendo. Ficou-se sabendo o tamanho dos mistérios do céu. Todos os corpos brilhantes, tudo que é possível ser visto é apenas 0,5% de tudo que há lá em cima. A matéria escura, buracos negros, estrelas mortas, etc, são uns 3,5%. Não se sabe absolutamente nada sobre os 96% restantes do céu.

Einstein e sua Relatividade estão ficando velhos! Segundo a sua Teoria da Relatividade Geral, os campos gravitacionais provocam uma curvatura do continuun espaço/tempo, é isso, o espaço e o tempo são curvos, deformados pela ação da gravidade. A luz é a velocidade máxima do universo e para um corpo se deslocando com velocidade próxima à dela, o tempo passa mais lentamente, se dilata, e o espaço se contrai permitindo viagens no tempo apenas para o futuro. Note-se que isto já foi verificado experimentalmente em aceleradores de partículas. Pela Teoria das Super Cordas proposta em 1991 por J. Gott, podem existir no céu certas anomalias em campos gravitacionais que criam atalhos por onde o tempo pode cortar caminho. Ela vai além da Relatividade, seus campos gravitacionais seriam de tal magnitude, que a curvatura do espaço/tempo previstas por Einstein seriam apenas umas dobrinhas! Um objeto próximo de uma Super Corda e sob influência de seu campo gravitacional poderia se deslocar com velocidades maiores que a da luz, viajando também para o passado. Uma heresia para a Relatividade! Agora é a vez de Einstein se revirar no túmulo, como se não bastasse ter que engolir a Mecânica Quântica, estas tais Super Cordas embrulham o seu entendimento do céu onde tudo era apenas relativo.

O Big Bang também está em questão. A Teoria da Inflação de 1979 afirma que ele ocorreu um pouquinho depois de uma primeira expansão colossal e homogênea. Ele não seria mais o início de tudo. Desta teoria decorrem também tentativas de explicações para a energia negativa, escura do céu aquela que não é detectável. Para a Teoria da Inflação ganhar consistência, precisa ser descoberta uma quinta força no universo além das quatro forças já conhecidas, as duas nucleares, a gravidade e a eletromagnética. Detalhe, Aristóteles afirmava que abaixo da esfera lunar tudo era composto pelos quatro elementos essências, água, terra, ar e fogo. Mas deveria haver um quinto elemento que comporia a esfera das estrelas, a quinta essência. Assim foi chamada a nova quinta força que a ciência precisa achar para explicar o céu, ou que o céu precisa ter para satisfazer a ciência.

O russo Andrei Linde subverte mais ainda o entendimento do céu afirmando que o universo não é único, ele seria como um imenso caldeirão borbulhando com infinitos Big Bangs acontecendo simultaneamente. O nosso Big Bang e portanto nosso universo seria apenas um entre infinitos deles. Isto é tão revolucionário para o entendimento do céu quanto foi Galileu e sua luneta afirmando que a terra é apenas um corpo a mais girando em torno do sol. Também resgata uma outra idéia de Aristóteles, a do cosmos eterno, onde não existe o momento da criação.

A Ciência parece ter ido além de seu próprio alcance , ela não é mais capaz de mostrar o que é verdadeiro pois o próprio conceito de verdade parece desnecessário. O que fazer com os universos simultâneos de Linde ou com as Super Cordas? Observá-los? Comprová-los? Como? Talvez seja melhor crer ou não crer que eles existam, eles serão sempre e apenas uma probabilidade...

De tão madura a ciência precisa se recriar para ter em que acreditar com uma nova percepção de si mesma. O tempo das certezas, do absoluto parece ter ficado para trás e ficamos com um lodaçal probabilístico de incertezas para explicar o céu. Também ficou para trás o tempo em que a lógica do cidadão comum era capaz de entender o que a ciência falava, hoje ela só se faz entender pelos "iniciados" que passaram a ser nossos intermediários no entendimento do céu. E fica a dúvida, será que não foi sempre assim, em todas as épocas?

Eles, os iniciados, se enterram em laboratórios, equações, livros e maquinarias para ver o céu, mas nós continuamos com o simples gesto de olhar para cima e continuamos misteriosamente deslumbrados.

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