VALE A PENA LER II


... No começo do século XVII a heresia começa a adquirir contornos de ciência. Giordano Bruno defende o modelo heliocêntrico, desafiando a igreja. O sol seria o centro do universo e a Terra apenas um dos corpos que giravam em torno dele. Não teve como se defender e foi parar nas fogueiras da inquisição. Copérnico, um matemático, calculou as órbitas dos planetas girando em torno do sol e conseguiu se safar. O heliocentrismo estava amadurecendo mas faltavam as evidências. Galileu Galilei (1564-1642) achou que seria capaz de ganhar o braço de ferro com a igreja. Os holandeses acabavam de trazer para a Europa uma grande novidade que passou a ser usada nas navegações: a luneta. Galileu ao invés de apontá-la para o mar ou as estrelas, apontou-a para os planetas. Ele observou que Júpiter tinha luas girando em torno dele e que elas furavam as esferas de Aristóteles. Ele achou que tinha a prova, a evidência científica para retirar a Terra imóvel do centro do universo e colocar o sol em seu lugar e convidou membros da igreja a usarem a sua luneta e ver as luas girando em volta do planeta.

Aí vem o famoso diálogo (lenda ou não pouco importa) onde Galileu achou que finalmente demonstraria para a igreja que o modelo cristão do universo estava literalmente furado.
" E então? Os senhores não acreditam no que seus olhos vêm? Provoca e pergunta Galileu.
"Acreditamos no que nossos olhos vêm quando lemos os textos sagrados" foi a resposta.

De fato, no embate entre o dogma religioso e a ciência o que estava em questão era qual o critério que torna uma idéia verdadeira: é verdade porque creio ou é verdade porque observo e explico. Muitas descobertas científicas foram feitas a partir daí, mas também foi possível identificar o amadurecimento de um método que nos traria à ciência contemporânea, o método científico, onde prevalece a razão, a noção de que a fé e a ciência são duas coisas totalmente diferentes e, sem nenhum julgamento de valor, têm verdades diferentes. O Homem passou a precisar menos de Deus para entender o céu.

Com o tempo o método científico, e a lógica cartesiana, se impôs e foi sistematizado. O cientista formula hipóteses (eu acho que...) que são testadas em experimentos ( eu observo que...) e demonstra uma tese ( eu concluo que...).

Mais tarde, físico inglês Isaac Newton dá um outro passo importante tentando desvendar os mistérios do céu. Sempre baseado no método científico, ele se vê obrigado a ir além criando novos e poderosos instrumentos para identificar a verdade científica usando a matemática. Assim como Galileu usou a luneta para mostrar o que era verdade, Newton cria entre outras coisas o cálculo diferencial e integral para construir a sua teoria para a estrutura do universo. A Teoria da Gravitação Universal explica e calcula como e porque os corpos celestes valseiam alegremente pelo espaço em aparente e perfeita harmonia. Mais uma vez a ciência amadurece nos seus recursos para estabelecer o que considera verdadeiro. Mesmo que não seja possível observar experimentalmente um fenômeno, se for possível descrevê-lo através de um modelo matemático consistente ele pode merecer o atestado de verdadeiro. Newton não pode colocar os planetas numa balança para medir suas massas mas pode calculá-las, não inventou nenhum aparelho para medir a força da gravidade mas demonstrou que ela existe, calculou sua intensidade e assim por diante. E foi por aí que a ciência seguiu em frente e explicou muito do que é o universo no que ele tem de mais aparente, de macroscópico.

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